A HISTÓRIA da Pós-Modernidade.
Publicação feita pelo grupo: As Instituições Sociais e o Sujeito.
PÓS-MODERNIDADE

Contextualizando: Rouanet (1989)
procura revelar o que chama de a verdade e a ilusão do
pós-moderno, descrevendo as duas facetas da pós-modernidade, a social e a
cultural.
A pós-modernidade
social estaria expressa, em vários planos, do ponto de vista do
cotidiano, o "mundo social
se desmaterializa, passa a ser signo, simulacro, hiperrealidade" (Rouanet,
1989:233). Ou seja, um mundo em que a máquina foi substituída pela informação;
a fábrica, pelo shopping Center;
o contato de pessoa a pessoa, pela relação com o vídeo.
Supõe-se, por essa
via, o fim da separação moderna entre o público e o privado: "Sob
a implacável luz de neon da sociedade informatizada, não há mais cena – a
realidade tornou-se, literalmente, obscena, pois tudo é transparência e
visibilidade imediata, excluída a dimensão da interioridade."
(Rouanet,1989: 233)
A sociedade
pós-moderna é uma verdadeira nebulosa de "jogos de linguagem” (Lyotard,1989)
jogos estes, totalmente heteromórficos entre si, o que significa a inexistência
de regras gerais que possam disciplinar a todos. Temos, com isso, um campo
social que prima pelo múltiplo e pelo particular, ou seja, uma sociedade
rebelde a todas as totalizações.
Segundo Rouanet, a
pós-modernidade social, também estabelecerá mudanças nas questões de ordem
econômica e política. No primeiro caso, a ruptura estaria expressa na passagem
da sociedade industrial para a pós-industrial, visto que, as primeiras
baseiam-se na produção de bens físicos, na utilização da energia, na
organização hierarquizada da empresa, na força de trabalho desqualificada ou
não-qualificada; enquanto, as segundas baseiam-se na produção de serviços e, o
que passa a ser prioritário, não é a energia, mas a informação.
Do ponto de vista
político, as principais mudanças são atribuídas à questão da circulação do
poder. Este descentraliza-se, tornando-se poder difuso, uma verdadeira rede
capilar por toda a sociedade civil. Dessa forma, a política não é mais
genérica, partidária, mas específica de quem está inscrito, em campos setoriais
de dominação, tais como: homem/mulher, anti-semita/judeu, etnia dominante/etnia
minoritária.
A seguir, o autor
discutirá, também, o que se denomina de pós-modernidade cultural descrevendo
as mudanças, no campo da ciência e da filosofia. Por um lado, a ciência
pós-moderna caracterizar-se-á, pela incredulidade com relação às narrativas
legitimadoras; por outro lado, não mais buscará o consenso, mas
o dissenso; não mais, a eficácia; mas, a invenção.
A episteme pós-moderna legitimar-se-ia pelo heterogêneo, pelo
inesperado e pela diferença.
A relação do sujeito
com a civilização diz respeito, também, à relação do sujeito com aquilo que se
coloca como Lei (castração), o que envolverá, sempre, algum nível
de renúncia e insatisfação da parte do sujeito e, consequentemente, a
possibilidade de rebeldia. A construção de ideais, neste sentido, diz respeito
à questão narcísica, isto é, um modo de compensação, pelas renúncias
individuais, que se deve à presença do desamparo do homem, diante da
existência.
Desta forma, Freud
(1927) conclui que a construção e busca de satisfação dos ideais é
fundamentalmente, necessária, ou seja, uma cultura em crise é uma cultura que
não elaborou os lutos, as perdas presentes em sua história e, que, portanto,
não possibilita condições fundamentais à vida em coletividade.
O texto freudiano
vai se dedicar, aqui, especificamente, às ideias religiosas e à sua função no
campo social. Trata-se de uma discussão sobre a função das crenças cujo
conhecimento não é construído por um sujeito específico, mas transmitido de uma
geração para outra e a qual o sujeito se submete. Em outras palavras, o que
Freud discute é a institucionalização da religião, ou seja, a sua ideologização
no campo social. As instituições, enquanto representantes da cultura, definem
um conjunto de normas e preceitos para as ações dos sujeitos. O que Freud
delineia é uma dada atitude diante das instituições – no caso, a religião – que
busca a resolução dos conflitos infantis (angústia) pela aceitação de uma
solução universal e absoluta. Ou seja, a medida em que o ideal se prevalece,
sobre o desejo do sujeito, faz com que este último cumpra, apenas, a função de
ilustrar este ideal prévio.
O fenômeno ilusório
que se constitui na relação sujeito-instituição não deve ser pensado enquanto
erro, mas fundamentado, num processo psíquico de tentativa de realização de
desejo, ou seja, numa busca de encobrimento da falta e do próprio desamparo do
homem na sua relação com a vida.
Os momentos de crise
de uma cultura, quando fracassam os ideais, apontam, exatamente, para a
existência de ilusões construídas que se pautaram num pano de fundo de
desconhecimento da precariedade da relação do homem com a realidade social. O
contraponto é o fato de que a vida, como contínuo devir, indica o limite dos
ideais e, como consequência, a necessidade de sua reconstrução.
Freud pautava-se,
nesse momento do seu discurso, na ideia de atividade científica cujo processo
definiria a relativização do saber e do
conhecimento da realidade. Mal se dava conta de que o saber científico
tenderia, progressivamente, a ser transformado, também, em ideologia na medida
em que a verdade tornou-se efeito da chamada razão instrumental e aquilo que
ela poderia promover no âmbito da cultura moderna.
No texto Mal
estar na civilização (1930), Freud nos confrontará com a radicalização
do mal-estar do sujeito na cultura, nos indicando as principais fontes de
infelicidade para o homem no poder superior da natureza, na fragilidade
de nossos corpos e na inadequação das regras que procuram ajustar os
relacionamentos mútuos dos seres humanos na família, no Estado e na sociedade.
Estudo feito por Mágda Regadas baseado em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-61482002000200007
as relações sujeito-instituição: uma leitura psicanalítica. Rev.
Mal-Estar Subj.[online]. 2002, vol.2, n.2, pp. 145-160. ISSN
2175-3644.
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